1. Letramento em IA como competência
A lacuna: os alunos já usam IA todo dia, quase sempre sem nenhuma orientação sobre limites, erros e responsabilidade.
A proposta: tratar letramento em IA como competência de base, ao lado de ler, escrever e calcular, dentro da BNCC — com financiamento permanente, e não como projeto-piloto. Ensinar o que a ferramenta faz bem, onde ela erra, o que é alucinação, o que é viés e quando não se deve confiar nela.
2. Professor primeiro
A lacuna: não se pede a um professor que ensine a usar uma ferramenta que ninguém o ensinou a usar. E a formação disponível hoje reproduz a desigualdade da rede: chega antes onde já havia mais recurso.
A proposta: um programa nacional de formação com prioridade explícita para as redes mais pobres, conduzido pela rede pública e pelas entidades de professores — com a indústria complementando o investimento público, nunca substituindo.
3. Proteger o pensamento, depois medir
A lacuna: a avaliação brasileira mede sobretudo produto final — exatamente o que a IA entrega pronto.
A proposta: rever instrumentos de avaliação para capturar processo, argumento e defesa oral do que foi feito. Não é proibir a ferramenta na prova: é medir aquilo que a ferramenta não faz pelo aluno.
4. Trilhas para o trabalho
A lacuna: entre o ensino médio e o diploma superior há um vazio de qualificação reconhecida pelo mercado.
A proposta: qualificações curtas e reconhecidas, que somem para o diploma em vez de competir com ele, integradas ao ensino técnico e à aprendizagem profissional, para que a formação em tecnologia não dependa de concluir uma graduação de quatro anos.
5. Abrir a pós-graduação
A lacuna: é na pós-graduação e na pesquisa que a vantagem se acumula mais rápido — e é onde o Brasil forma menos gente do que precisa.
A proposta: ampliar bolsas e vagas em áreas ligadas a dados e IA, com acesso de universidade pública a capacidade computacional, para que pesquisa nacional não dependa de infraestrutura alugada no exterior.
6. Direitos do estudante
A lacuna: dado escolar é dado sensível de criança e adolescente, e hoje circula em contrato de fornecedor sem piso comum.
A proposta: um piso nacional de privacidade, supervisão e transparência para uso de IA na escola, ancorado na LGPD: finalidade limitada, vedação de uso comercial de dado de aluno, e direito de saber quando uma decisão sobre o estudante foi automatizada.