Como a esquerda brasileira trocou o futuro pelo medo — e o caminho de volta.
Por duas décadas, o campo progressista liderou a democratização digital do Brasil. Dos telecentros e do software livre ao Marco Civil da Internet, tecnologia significou inclusão, direitos e cidadania. Depois da ascensão da extrema direita nas redes, a postura se inverteu: o partido que perguntava como usar a tecnologia para transformar o país passou a falar quase só em como controlá-la. Esta é a versão brasileira da armadilha da techlash.
Do software livre ao Marco Civil; do Marco Civil à techlash. Duas décadas do campo e a inversão.
Cinco heranças que o campo construiu — e cinco pontos em que se perdeu do próprio legado.
Sete compromissos para o progressismo reencontrar a inovação, a inclusão e o futuro.
Do partido da inclusão digital à armadilha política — e a saída. A crítica não nega os problemas: reivindica uma herança legítima.
O progressismo tecnológico não é importação liberal nem concessão ao poder econômico: faz parte da melhor tradição do próprio campo. Governo eletrônico, telecentros, software livre, cultura digital e, sobretudo, o Marco Civil da Internet — sancionado em 2014 — trataram o acesso como essencial à cidadania, organizando a rede em torno de liberdade, privacidade e neutralidade.
A reação a abusos reais — o uso político das redes pela direita, a eleição de 2018, os ataques às instituições e a desinformação — produziu uma inversão. Plataformas deixaram de ser espaços de participação e inclusão para virar, no discurso, sobretudo ameaça: à democracia, à soberania, às mulheres, às crianças. Os riscos são verdadeiros; o problema é que passaram a engolir todo o resto da agenda.
Sem uma estratégia consistente de IA, com baixa adoção tecnológica pelo Estado, insegurança regulatória e pouca integração de especialistas ao governo, o campo acumula um déficit: fala com clareza do que quer restringir, mas pouco do que quer construir. Regula a plataforma estrangeira sem construir capacidade pública, pesquisa nacional e alternativas brasileiras.
A direita segue dominando linguagem, formato e mobilização nas redes. O campo progressista precisa disputar esse território sem abandonar jovens, criadores e trabalhadores de aplicativo — e sem aceitar que plataformas privadas definam sozinhas as condições dessa participação.
Não se trata de negar os problemas, e sim de reencontrar uma herança legítima: recuperar o espírito do Marco Civil, tratar inovação como política social e voltar a falar de futuro — com direitos, soberania e controle democrático. O caminho de volta são sete compromissos.
Um campo honesto reconhece o que construiu — e onde se afastou da própria melhor tradição.
Não empurrar o campo para uma direção estranha à sua história — ajudá-lo a reencontrar o que já foi.
O campo progressista ajudou a democratizar o acesso à tecnologia e a construir uma internet baseada em direitos. O Fórum do Progresso existe para ajudá-lo a recuperar essa tradição — e voltar a ser o partido do futuro.
"Combater o abuso de uma plataforma e defender inovação orientada ao interesse público não são coisas opostas. O problema é deixar que a primeira defina a segunda."
"Cresci com telecentro e software livre. Quero votar em quem fala do futuro que eu construo — não só do que me ameaça."
"A regra deve mirar o dano, a concentração de poder e a violação de direitos — não proteger privilégios."
"Entrego por aplicativo pra ter renda. Preciso de direito e de plataforma funcionando — não de um discurso que trata os dois como inimigos."
Vozes ilustrativas, para compor o layout — a substituir por apoios reais na versão pública.
"A armadilha da techlash" — a história tecnológica do campo progressista e o caminho de volta.
A lista de distribuição será aberta junto com o lançamento editorial. Para acompanhar o projeto agora, consulte as notícias e análises.